Usineiros publicam carta aberta contra a Opep para defender o uso do etanol
Quinta Feira - 17/07/2008
Fonte: DCI
SÃO PAULO - As usinas brasileiras produtoras de etanol estão adotando postura proativa frente aos ataques que vem sofrendo os biocombustíveis via imprensa mundial. Ontem, as quatro entidades mundiais representativas da produção de etanol no mundo responderam às críticas feitas recentemente pelo presidente da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), Chakib Khelil, por meio de divulgação de uma carta no Financial Times. A publicação londrina, onde as entidades divulgaram carta de página inteira, é um dos principais jornais diários financeiros do mundo. Na carta, a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), a Associação de Combustíveis Renováveis do Canadá (CRFA), a Associação de Bioetanol Combustível da Europa (eBIO) e a Associação de Combustíveis Renováveis dos Estados Unidos (RFA), apresentam alguns argumentos que mostram porque os biocombustíveis não interferem nos fatores que elevam os preços do barril de petróleo, ao contrário do que sugeriu o presidente da Opep em declarações feitas no início deste mês. Segundo divulgou ontem a Unica, as entidades rebatem as acusações de que o etanol é o responsável por 40% do aumento no preço mundial do petróleo. Entre as afirmações da carta está a de que, com base em "explicação enganosa, podemos apenas concluir que a Opep vê a competição com os biocombustíveis como uma ameaça direta ao cartel que os senhores criaram e continuam a manter". Sob o título "Opep fatura bilhões, mas culpa biocombustíveis... Confuso?", a carta aberta a Khelil apresenta diversas constatações sobre o que a competição entre os combustíveis renováveis e o petróleo tem provocado. A primeira delas é a de que os biocombustíveis lideram a ruptura do domínio da Opep sobre o futuro da energia mundial. O documento aponta também a manipulação de preços realizada ao longo do tempo pelo cartel para impedir que formas alternativas de combustíveis pudessem colocar em risco o domínio do petróleo, estratégia que agora começa a ser enfraquecida pelo surgimento de novas fontes de energia. Apesar disso, os países que integram a Opep ainda terão, em 2008, receita de US$ 1,2 trilhão.
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